quinta-feira, 19 de março de 2009

MONÓLOGO

Amor não mata
O amor não se mata
Não há homicídio que a causa seja o amor
Não há suicídio que o motivo seja o amor
O amor vive
Vive mesmo que morto
Vive mesmo que preso
No cárcere da solidão
O amor vive entre grades
Entre jardins, entre cercas e muros.
O amor esta nos becos mais escuros
Esta nos bares, nos lares,
O amor esta nos templos, nos guetos
No silêncio, no vento, na chuva
O amor esta perdido na rua
Esta entre as frestas, entre os vãos
Entre o intervalo do sol e da lua
Entre o antagonismo das sombras e das luzes
O amor esta entre a vida e a morte
O amor pode ser a vida
O amor pode ser a morte.




quinta-feira, 5 de março de 2009

SEGREDO


Era tarde
Mas não tão tarde
E o tempo esperava pacientemente
Tudo era novo
Tudo era antigo
Todo sentimento era possível
Nem todos eram permitidos
Cada passo dado era lentamente rápido
Cada gesto esteticamente desenhado
E a paisagem bucólica tinha um pouco de luz
Um pouco de cinza
Pintura carregada de melancolia.
E o clima se confundia com as lembranças
E se dispersava com a distância.
E meu olhar não arriscava encarar
E nada me faria parar de pensar
E as marcas que ficaram são bem mais profundas
A queda muito mais séria...muito mais brusca.
Sensação que incomoda, que perturba,
Por me tirar dessa vida de renúncias e de dúvidas.
És minha redenção, minha tentação...
Meu segredo jamais secreto
Convite tentador e pecador...
E eu não quero mais ser um desertor.